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Anúncios do ChatGPT com segmentação por e-mail e telefone: o que muda

Caê NonakaFundador e CEO da Nonaka
Até pouco tempo, anunciar no ChatGPT parecia coisa de grande marca americana. Hoje os anúncios já rodam em vários países, incluindo o Brasil, e a plataforma tem recursos parecidos com os do Meta e do Google, como públicos personalizados a partir da sua base de clientes. Na semana passada, uma reportagem mostrou na prática como isso funciona e reacendeu a discussão sobre privacidade. Veja o que é fato, o que muda e o que fazer.
O que aconteceu na semana de 13 a 20 de outubro?
Em 15 de outubro de 2026, o site 404 Media publicou testes mostrando que anunciantes conseguem direcionar anúncios no ChatGPT para grupos específicos a partir de e-mail, telefone ou identificador do celular, além do tema da conversa.
O recurso em si não é novo. Ele está descrito na documentação oficial da OpenAI para anunciantes, na página de segmentação de campanhas. O que a reportagem fez foi mostrar ao público geral que a conversa e a base de contatos de uma empresa podem, juntas, decidir quem vê um anúncio.
No mesmo mês, a OpenAI também anunciou, em 5 de outubro, um formato de anúncio visual que aparece ao lado das imagens geradas no ChatGPT, com teste previsto para outubro nos Estados Unidos, segundo o TechCrunch. Até o fechamento deste texto, não encontramos confirmação oficial do início desse teste.
Como funciona a segmentação de anúncios do ChatGPT por lista de clientes?
Funciona como um público personalizado: você envia um arquivo com dados de contato, a OpenAI procura as contas correspondentes e cria um público que pode ser usado nas campanhas. Segundo a documentação oficial, o público pode ser usado de três formas.
- Inclusão: mostrar o anúncio só para quem está na lista.
- Exclusão: não mostrar para quem está na lista, por exemplo quem já é cliente.
- Ajuste de lance: pagar mais ou menos para aparecer para esse grupo. A central de ajuda da OpenAI fala em multiplicadores de 0,1x a 10x.
Os dados aceitos, segundo a OpenAI, são e-mail, telefone, as versões criptografadas desses dados no padrão SHA-256 e o ID de publicidade do Google (Android). Os arquivos podem ser CSV (com cabeçalho) ou TXT (um dado por linha, de um único tipo).
Além da lista, existem as chamadas "dicas de contexto": frases que descrevem os produtos, usos ou necessidades que o anúncio atende. A OpenAI deixa claro que elas orientam a correspondência, mas não funcionam como palavra-chave exata. Também dá para escolher país, app do iPhone, app do Android ou versão web.
Qual é o tamanho mínimo da lista?
Para incluir um público ou ajustar o lance, a OpenAI exige pelo menos 25 mil usuários encontrados. Para excluir, não há mínimo. Atenção ao detalhe: o que conta são os usuários encontrados, e não as linhas do arquivo. Uma lista com 25 mil e-mails quase certamente vai gerar um público menor, porque nem todo contato tem conta no ChatGPT com aquele dado.
| Uso do público | Mínimo exigido pela OpenAI | Para quem faz sentido |
|---|---|---|
| Incluir (mostrar só para a lista) | 25 mil usuários encontrados | Empresas com base grande de clientes ou leads |
| Ajustar lance | 25 mil usuários encontrados | Quem quer priorizar clientes de alto valor |
| Excluir (não mostrar para a lista) | Sem mínimo | Qualquer empresa que queira evitar gastar com quem já comprou |
| Só dicas de contexto | Não se aplica | Quem ainda não tem base de contatos |
Na prática, para a maioria das pequenas e médias empresas, o uso mais imediato é a exclusão: tirar da campanha quem já é cliente ou quem já está em negociação.
Esse recurso já vale para anunciantes no Brasil?
Os anúncios do ChatGPT rodam no Brasil desde 4 de agosto de 2026, segundo a CNN Brasil, e aparecem para usuários maiores de 18 anos dos planos gratuito e Go. Sobre os públicos personalizados, a documentação da OpenAI cita uma restrição explícita para campanhas no Espaço Econômico Europeu e na Suíça, e não menciona o Brasil. Por isso, confirme dentro da sua conta do gerenciador de anúncios se a opção aparece antes de planejar a campanha em cima dela.
Uma coisa não muda com a regra da plataforma: aqui, quem envia dados de clientes para qualquer ferramenta de anúncio precisa respeitar a LGPD.
O que fazer agora, passo a passo?
Se você pensa em anunciar no ChatGPT, organize a base antes de abrir a campanha. O recurso só é útil se a sua lista estiver limpa, atualizada e com autorização para uso em marketing.
- 1Reúna a base no CRM. Clientes, leads e contatos em negociação, cada um com a etapa em que está.
- 2Revise a base legal. Confirme com o seu jurídico se a coleta desses contatos permite uso em publicidade e se a sua política de privacidade informa isso.
- 3Separe as listas por objetivo. Uma de clientes (para excluir ou vender de novo), uma de leads parados (para reativar) e uma de quem está em negociação (para excluir).
- 4Padronize os dados. E-mail em minúsculas, telefone com código do país. Dado sujo diminui a quantidade de usuários encontrados.
- 5Prefira enviar os dados criptografados. A OpenAI aceita SHA-256, desde que o dado seja padronizado antes (e-mail em minúsculas, telefone no formato internacional). Enviar já criptografado é o caminho mais prudente.
- 6Comece pela exclusão. É o uso mais simples, não exige volume mínimo e evita pagar clique de quem já é cliente.
- 7Meça até a venda. Use UTMs próprias nos links dos anúncios e leve a origem até o CRM. Sem isso, você não sabe se o ChatGPT trouxe cliente ou só visita.
Quais são os riscos e cuidados?
O principal risco é de reputação, e não técnico. A reportagem mostrou que muita gente não imagina que o próprio e-mail ou telefone pode ser usado para mostrar anúncios dentro de uma conversa com IA. Uma empresa que usa dados sem cuidado pode virar exemplo negativo.
Outros cuidados:
- Não envie listas de categorias sensíveis (saúde, religião, orientação sexual) sem orientação jurídica.
- Não trate o ChatGPT como substituto dos canais que já trazem venda. É um canal em teste para a maioria das empresas.
- Lembre que a lista não garante alcance: nem todo contato tem conta no ChatGPT com aquele dado.
- Não espere relatório individual: segundo a documentação da OpenAI, o anunciante não vê quem foi encontrado na lista, e a CNN Brasil informou que as empresas recebem apenas dados agregados das campanhas.
Como a Nonaka faz na prática
Na Nonaka, a base de clientes é tratada como ativo de mídia desde a etapa de Estratégia. O CRM "carimba" quem comprou e envia essa informação ao Meta Ads para que as campanhas aprendam com vendas reais, e a mesma lógica vale para qualquer plataforma nova que aceite listas, como o ChatGPT. Por isso o primeiro passo é um CRM organizado, com etapas e origem de cada contato.
Antes de recomendar um canal novo, o Mapeamento avalia se o público do cliente está ali e se a base tem volume para usar os recursos de lista. O investimento começa em escadinha e escala acompanhando os números. Se você quer entender como venda real ensina o algoritmo, leia sobre conversões offline.
Perguntas frequentes
Dá para segmentar anúncios do ChatGPT por e-mail e telefone?
Sim. Segundo a documentação da OpenAI, o anunciante pode enviar listas com e-mail, telefone, as versões criptografadas em SHA-256 ou o ID de publicidade do Android. A plataforma cruza a lista com contas do ChatGPT e cria um público para incluir, excluir ou ajustar o lance.
Qual o tamanho mínimo de público nos anúncios do ChatGPT?
Para incluir um público ou ajustar o lance, a OpenAI exige pelo menos 25 mil usuários encontrados, e não 25 mil linhas na planilha. Para excluir um público da campanha, não há mínimo.
Os anúncios do ChatGPT aparecem no Brasil?
Segundo a CNN Brasil, os anúncios do ChatGPT começaram a rodar no Brasil em 4 de agosto de 2026, para usuários dos planos gratuito e Go. A disponibilidade de cada recurso, como os públicos personalizados, deve ser conferida na própria conta do anunciante.
Usar lista de clientes nos anúncios do ChatGPT exige cuidado com a LGPD?
Sim. Enviar dados pessoais para uma plataforma de anúncios é tratamento de dados e precisa de base legal e transparência com o titular. Confirme com o seu jurídico antes de subir qualquer lista.
Vale a pena para pequenas empresas?
Para a maioria, o uso mais útil agora é excluir clientes atuais das campanhas, porque isso não exige volume mínimo. A inclusão por lista só funciona para quem tem uma base grande o bastante para chegar a 25 mil usuários encontrados.
Próximo passo
Antes de testar um canal novo, vale saber se a sua base de clientes está pronta para virar público de anúncio e se a medição chega até a venda. Quero meu diagnóstico


