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Notícias de Marketing 7 min de leitura

Anúncios do ChatGPT com segmentação por e-mail e telefone: o que muda

Caê Nonaka

Caê NonakaFundador e CEO da Nonaka

Até pouco tempo, anunciar no ChatGPT parecia coisa de grande marca americana. Hoje os anúncios já rodam em vários países, incluindo o Brasil, e a plataforma tem recursos parecidos com os do Meta e do Google, como públicos personalizados a partir da sua base de clientes. Na semana passada, uma reportagem mostrou na prática como isso funciona e reacendeu a discussão sobre privacidade. Veja o que é fato, o que muda e o que fazer.

O que aconteceu na semana de 13 a 20 de outubro?

Em 15 de outubro de 2026, o site 404 Media publicou testes mostrando que anunciantes conseguem direcionar anúncios no ChatGPT para grupos específicos a partir de e-mail, telefone ou identificador do celular, além do tema da conversa.

O recurso em si não é novo. Ele está descrito na documentação oficial da OpenAI para anunciantes, na página de segmentação de campanhas. O que a reportagem fez foi mostrar ao público geral que a conversa e a base de contatos de uma empresa podem, juntas, decidir quem vê um anúncio.

No mesmo mês, a OpenAI também anunciou, em 5 de outubro, um formato de anúncio visual que aparece ao lado das imagens geradas no ChatGPT, com teste previsto para outubro nos Estados Unidos, segundo o TechCrunch. Até o fechamento deste texto, não encontramos confirmação oficial do início desse teste.

Como funciona a segmentação de anúncios do ChatGPT por lista de clientes?

Funciona como um público personalizado: você envia um arquivo com dados de contato, a OpenAI procura as contas correspondentes e cria um público que pode ser usado nas campanhas. Segundo a documentação oficial, o público pode ser usado de três formas.

  • Inclusão: mostrar o anúncio só para quem está na lista.
  • Exclusão: não mostrar para quem está na lista, por exemplo quem já é cliente.
  • Ajuste de lance: pagar mais ou menos para aparecer para esse grupo. A central de ajuda da OpenAI fala em multiplicadores de 0,1x a 10x.

Os dados aceitos, segundo a OpenAI, são e-mail, telefone, as versões criptografadas desses dados no padrão SHA-256 e o ID de publicidade do Google (Android). Os arquivos podem ser CSV (com cabeçalho) ou TXT (um dado por linha, de um único tipo).

Além da lista, existem as chamadas "dicas de contexto": frases que descrevem os produtos, usos ou necessidades que o anúncio atende. A OpenAI deixa claro que elas orientam a correspondência, mas não funcionam como palavra-chave exata. Também dá para escolher país, app do iPhone, app do Android ou versão web.

Qual é o tamanho mínimo da lista?

Para incluir um público ou ajustar o lance, a OpenAI exige pelo menos 25 mil usuários encontrados. Para excluir, não há mínimo. Atenção ao detalhe: o que conta são os usuários encontrados, e não as linhas do arquivo. Uma lista com 25 mil e-mails quase certamente vai gerar um público menor, porque nem todo contato tem conta no ChatGPT com aquele dado.

Uso do públicoMínimo exigido pela OpenAIPara quem faz sentido
Incluir (mostrar só para a lista)25 mil usuários encontradosEmpresas com base grande de clientes ou leads
Ajustar lance25 mil usuários encontradosQuem quer priorizar clientes de alto valor
Excluir (não mostrar para a lista)Sem mínimoQualquer empresa que queira evitar gastar com quem já comprou
Só dicas de contextoNão se aplicaQuem ainda não tem base de contatos

Na prática, para a maioria das pequenas e médias empresas, o uso mais imediato é a exclusão: tirar da campanha quem já é cliente ou quem já está em negociação.

Esse recurso já vale para anunciantes no Brasil?

Os anúncios do ChatGPT rodam no Brasil desde 4 de agosto de 2026, segundo a CNN Brasil, e aparecem para usuários maiores de 18 anos dos planos gratuito e Go. Sobre os públicos personalizados, a documentação da OpenAI cita uma restrição explícita para campanhas no Espaço Econômico Europeu e na Suíça, e não menciona o Brasil. Por isso, confirme dentro da sua conta do gerenciador de anúncios se a opção aparece antes de planejar a campanha em cima dela.

Uma coisa não muda com a regra da plataforma: aqui, quem envia dados de clientes para qualquer ferramenta de anúncio precisa respeitar a LGPD.

O que fazer agora, passo a passo?

Se você pensa em anunciar no ChatGPT, organize a base antes de abrir a campanha. O recurso só é útil se a sua lista estiver limpa, atualizada e com autorização para uso em marketing.

  1. 1Reúna a base no CRM. Clientes, leads e contatos em negociação, cada um com a etapa em que está.
  2. 2Revise a base legal. Confirme com o seu jurídico se a coleta desses contatos permite uso em publicidade e se a sua política de privacidade informa isso.
  3. 3Separe as listas por objetivo. Uma de clientes (para excluir ou vender de novo), uma de leads parados (para reativar) e uma de quem está em negociação (para excluir).
  4. 4Padronize os dados. E-mail em minúsculas, telefone com código do país. Dado sujo diminui a quantidade de usuários encontrados.
  5. 5Prefira enviar os dados criptografados. A OpenAI aceita SHA-256, desde que o dado seja padronizado antes (e-mail em minúsculas, telefone no formato internacional). Enviar já criptografado é o caminho mais prudente.
  6. 6Comece pela exclusão. É o uso mais simples, não exige volume mínimo e evita pagar clique de quem já é cliente.
  7. 7Meça até a venda. Use UTMs próprias nos links dos anúncios e leve a origem até o CRM. Sem isso, você não sabe se o ChatGPT trouxe cliente ou só visita.

Quais são os riscos e cuidados?

O principal risco é de reputação, e não técnico. A reportagem mostrou que muita gente não imagina que o próprio e-mail ou telefone pode ser usado para mostrar anúncios dentro de uma conversa com IA. Uma empresa que usa dados sem cuidado pode virar exemplo negativo.

Outros cuidados:

  • Não envie listas de categorias sensíveis (saúde, religião, orientação sexual) sem orientação jurídica.
  • Não trate o ChatGPT como substituto dos canais que já trazem venda. É um canal em teste para a maioria das empresas.
  • Lembre que a lista não garante alcance: nem todo contato tem conta no ChatGPT com aquele dado.
  • Não espere relatório individual: segundo a documentação da OpenAI, o anunciante não vê quem foi encontrado na lista, e a CNN Brasil informou que as empresas recebem apenas dados agregados das campanhas.

Como a Nonaka faz na prática

Na Nonaka, a base de clientes é tratada como ativo de mídia desde a etapa de Estratégia. O CRM "carimba" quem comprou e envia essa informação ao Meta Ads para que as campanhas aprendam com vendas reais, e a mesma lógica vale para qualquer plataforma nova que aceite listas, como o ChatGPT. Por isso o primeiro passo é um CRM organizado, com etapas e origem de cada contato.

Antes de recomendar um canal novo, o Mapeamento avalia se o público do cliente está ali e se a base tem volume para usar os recursos de lista. O investimento começa em escadinha e escala acompanhando os números. Se você quer entender como venda real ensina o algoritmo, leia sobre conversões offline.

Perguntas frequentes

Dá para segmentar anúncios do ChatGPT por e-mail e telefone?

Sim. Segundo a documentação da OpenAI, o anunciante pode enviar listas com e-mail, telefone, as versões criptografadas em SHA-256 ou o ID de publicidade do Android. A plataforma cruza a lista com contas do ChatGPT e cria um público para incluir, excluir ou ajustar o lance.

Qual o tamanho mínimo de público nos anúncios do ChatGPT?

Para incluir um público ou ajustar o lance, a OpenAI exige pelo menos 25 mil usuários encontrados, e não 25 mil linhas na planilha. Para excluir um público da campanha, não há mínimo.

Os anúncios do ChatGPT aparecem no Brasil?

Segundo a CNN Brasil, os anúncios do ChatGPT começaram a rodar no Brasil em 4 de agosto de 2026, para usuários dos planos gratuito e Go. A disponibilidade de cada recurso, como os públicos personalizados, deve ser conferida na própria conta do anunciante.

Usar lista de clientes nos anúncios do ChatGPT exige cuidado com a LGPD?

Sim. Enviar dados pessoais para uma plataforma de anúncios é tratamento de dados e precisa de base legal e transparência com o titular. Confirme com o seu jurídico antes de subir qualquer lista.

Vale a pena para pequenas empresas?

Para a maioria, o uso mais útil agora é excluir clientes atuais das campanhas, porque isso não exige volume mínimo. A inclusão por lista só funciona para quem tem uma base grande o bastante para chegar a 25 mil usuários encontrados.

Próximo passo

Antes de testar um canal novo, vale saber se a sua base de clientes está pronta para virar público de anúncio e se a medição chega até a venda. Quero meu diagnóstico

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